“A adição de uma gota de tinta azul num copo de água resulta não numa gota azul com água mas em água azul: uma nova realidade”. Paul Levinson
Amando o livro de Kerkhove!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Barbinhas ralas e bigodinhos verticais
Texto de Arnaldo Jabor, publicado no Caderno 2 do Estadão, edição de 15/9/2009.
Vejam se não reconhecem algo nesse texto...
Quero ser feliz. Para isso, preciso de modelos. Há os livros de autoajuda, há a felicidade oficial da "mídia". Quero ser feliz e nas revistas vejo os ídolos modernos malhados, todos sedutores e comedores com a barbinha malfeita de propósito ("six o"clock shave") pegando as "modeletes" - todas rapadinhas com seus bigodinhos de Hitler no púbis (Brazilian Wax). Barbinhas ralas e bigodinhos verticais são a última moda importada de NY para os garanhõezinhos e namoradas chiques.Não estou criticando isso; estou é com inveja dessa ligeireza, tenho inveja da mediocridade dos objetivos. No Brasil de hoje, a burrice é uma bênção. Os homens-celebridade estão cada vez mais seguros de seus haréns, as mulheres mais belas. No entanto, velho romântico, penso: e a conversa de depois? Como manter aquela energia narcisista? Meu avô uma vez me gozou: "Quer namorada inteligente? Vai namorar o San Tiago Dantas..." (intelectual da época).Quero ser feliz modernamente, mas carrego comigo lentidões, traumas, conflitos. Sinto-me aquém dos felizes de hoje. Não consigo me enquadrar nos rituais de prazer das revistas. Posso ter uma crise de depressão em meio a uma orgia...Fui educado por jesuítas e pai severo, para quem o riso era um pecado; ensinaram-me que a felicidade era uma missão a ser cumprida, a conquista de algo maior, que nos coroasse de louros. A felicidade demandava sacrifício, uma luta sobre obstáculos. Olhando os retratos antigos, vemos que a felicidade masculina estava ligada à ideia de "dignidade", de vitória de um projeto de poder. Vemos os barbudos do século 19 de nariz empinado, os perfis de medalha, donos de um poder qualquer nem que fosse no lar, sobre a mulher e filhos aterrorizados.Mas eu queria ser mais livre, menos vergado ao peso de tanta responsabilidade severa.Por isso, quando cheguei aos 20 anos, meu ídolo passou a ser o James Bond: bonito, corajoso, entendendo de vinhos e de aviões supersônicos, comendo todo mundo, de smoking. Ele era livre e mundano? Sim, mas mesmo o James Bond se esforçava, pois tinha a missão de "salvar o mundo". Era um trabalhador incansável que merecia as louras que papava. Hoje, não. Nossos heróis masculinos não trabalham ou ostentam uma "allure" ociosa e cínica.A mídia nos ensina que os heróis da felicidade não têm ideal algum a conquistar, a não ser eles mesmos. A felicidade é uma construção de bom funcionamento, de desempenho. O ideal de felicidade é o brilho do prazer sem conflitos, sem afetos profundos todos sorridentes e simpáticos, porque é mais "comercial" ser alegre do que o velhos heróis que carregavam a dor do mundo. O herói feliz passa a ideia de que não precisa de ninguém. Para o herói da mídia, o mundo é um grande pudim a ser comido. Sem compromissos, ele quer sexo e amor, sem amar ninguém. Há um "donjuanismo" consentido, pois as mulheres não defendem mais virtudes castas - ao contrário, cada vez mais imitam o comportamento deles. Desejam ser "coisas" se amando. Assim como a mulher deseja ser um "avião", uma máquina peituda, bunduda, sexy, o homem também quer ser uma metralhadora, uma Ferrari, um torpedo inteligente e, mais que tudo, um grande pênis voador, superpotente, frívolo, que pousa e voa de novo, sem flacidez e sem angústias. O encontro humano virou um modelo de armar, um "lego" de carne. O herói macho A se encaixa em heroína fêmea B e produzem uma engrenagem C, repleta de luxo e arrepios entre lanchas e caipirinhas, entre jet skis e BMWs, num esfuziante casamento que dura, no máximo, três capas de Caras.E de tudo isso emana uma estranha "profundidade superficial" (desculpem o oxímoro), porque esse diletantismo raso tem o charme de ser uma sabedoria elegante e "contemporânea".Meu homem é antes de tudo um forte, mas um negador. Para ser feliz, precisa negar, renegar problemas, esquecer, não lembrar das tristezas do mundo. Sua receita de felicidade: não pensar em doenças, ignorar o inconsciente, lamentar a miséria sem nada fazer por ela. O macho brasileiro tem pavor de ser possuído ou tomado pela fraqueza da paixão. Não há entrega; basta-lhe o encaixe.Meu homem moderno almeja orgasmos longos, ereções vítreas sem trêmulas meias-bombas, meu homem feliz quer ser malhado e esportivo, se bem que informado e cínico, meu homem conhece bem as tragédias modernas, mas se lixa para elas, não por maldade, mas por um alegre desencanto.Meu homem vive em velocidade. O mundo da internet, do celular, do mercado financeiro imprimiu seu ritmo nele, dando-lhe o glamour de um funcionamento sem corrosão, sem desgaste de material, uma eterna juventude que afasta a ideia de morte ou velhice. Felicidade é um videoclipe; angústia é Antonioni.Assim, meu homem feliz é casado consigo mesmo.Mas, chega um dia em que o herói deprime, um dia em que a barriga cresce, o amargor torce-lhe os lábios, o "passaralho" cai e o homem feliz percebe que também precisa de um ideal de encontro, de algo semelhante à tal velha felicidade.Ele começa a perceber, confusamente, que a verdadeira solidão é apavorante. Daí, ele faz tudo para evitar a ideia de morte, de fim, senão sua liberdade ficaria insuportável.Com a idade, ele percebe que não há apoteose na vida. Nada se fechará numa plenitude, nada se resolverá inteiramente.Daí, ele passa a viver um paradoxo: ligar-se sem ligar-se. Ele percebe que precisa do amor ou do casamento ou de mais poder como uma "esperança de sentido".Aí, sua tentativa de felicidade fica "em rodízio", como em uma churrascaria: amor, poder, sexo. Em vez de se conformar com essa mutação sem finalidade, ele tenta satisfazer-se numa eterna insatisfação. Como um James Bond fracassado, como um Tom Cruise envelhecido que jamais perde a pose. Nem para si mesmo. E se gasta nessa Missão Impossível.
domingo, 30 de agosto de 2009
Ritornello
À certa altura da tarde, já exausta, veio de súbito, um estalo na mente. Há quase quatro anos, também às vésperas do sete de setembro (ou seria exatamente na data TÃO festiva?) tinha o mesmo ímpeto. Trocava tudo de lugar; puxava, arrastava, analisava, limpava e recolocava. Ao certo, não saberia dizer se puxava os móveis ou as idéias; pensamentos arrastados, alguns arranhados, mas vivos. Tão vivos quanto o Sol que adentrava pela ampla janela no meio da desordem.
Os motivos da reordenação eram outros; ontem, fora um desejo de renovação; por hora, bastam as renovações. Creio que estou renovada e reavivada; talvez precisasse de um marco figurativo, um ponto de explícito recomeço para satisfazer meu inconsciente, tão exageradamente consciente e atento. O começo do fim de um período de transição e readaptação em diversos aspectos.
Ambiente limpo e reorganizado, alma limpa e satisfatoriamente aberta. Motivada a buscar mais. Chegar ao ponto alto, promover mais alguns ajustes. Olhava para meu pai, meu grande companheiro de todas as jornadas, e me sentia grata pela certeza e pela tranquilidade de sempre. Quem mais me ajudaria a arrastar todos os móveis e todas as idéias, com tal serenidade e simplicidade? Quisera eu que ele soubesse de todas elas...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Peregrinando e pensando...
Adoro caminhar e adoro caminhar olhando para cima; olhando para o céu, principalmente quando as nuvens se dividem e formam pequenos montinhos esbranquiçados. Gosto de caminhar olhando para o céu porque me faz lembrar da imensidão da vida; de quantas possibilidades que ela ainda há nos gerar, de quantos vai-e-vens, de quantos segundos ainda estão por vir, de quantas pessoas ainda não conheci e de quantas coisas ainda não experimentei. Me faz lembrar que sempre posso ir além, que não tenho porque temer o que me parece limitado agora. Limite não há frente a imensidão...
Se caminho olhando para baixo, é porque estou exageradamente imersa nos meus problemas imediatos e nos pormenores do cotidiano. E isso é extremamente restritivo. A gente precisa lidar com as coisas do dia-a-dia mas não deixar-se engolir por elas. Lembrar que a dimensão da vida é muito mais ampla e oferece muito mais do que aquilo que está ao rápido alcance das mãos. E caminhar me faz refletir, criar vácuos criativos e ter alguns insights. Aliás, ontem a noite estava uma delícia echeguei a uma conclusão "brilhante"; aquelas premissas que vêem à cabeça se mais nem menos.
Os antigos jogadores do Super NES lembram daquele "truque" do SELECT START, tenho certeza. Esse é um daqueles macetes que não estão no manual, mas que todo mundo aprende fuçando. Para quem não sabe, quando se está no meio de um desafio - o Mário ouo Luigi pulando incansáveis dragões, em busca de um cogumelo vermelho - é possível pressionar essa combinação de teclas e cancelar o jogo. É simples: é só pausar e depois sair. O jogador volta ao mapa inicial da maneira como começou. Todo o esforço dispendido naquele mundo é descartado. Não adiantou pular obstáculos ou pegar estrelas. Mas também não é preciso ir até o final e correr o risco de perder uma vida. Volta-se ao mapa. Volta-se ao ponto inicial. Nada é perdido ams também não há ganhos, além da chance de "permanecer". E ter todas as possibilidades de volta.
De repente é isso. Às vezes, há de se considerar. PAUSE, SELECT, START.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Afinidade
Afinidade é algo quase mágico. Enquanto muitos procuram por ela, o universo simplesmente se incumbe de reunir pessoas afins. E pronto, a mágica está feita. É uma questão de probabilidade incerta: com tanta gente no mundo, pode-se encontrar seres afins. Ou não.
Na verdade, afinidade não é algo difícil de explicar. Para isso, há uma explicação da psicologia, uma da sociologia, uma da teologia, uma da geografia e uma da literatura. Mas afinidade é uma questão de "quereres", de disposição, de tendência, de pensamento, de momento, de lugar, de olhar, de bate-papo, de estar, de relógio, de acaso, de busca e até mesmo, de inércia; e de acaso. O incontrolável acaso. E plim...! A magia está feita.
Afinidade acontece em casa, na rua, no ônibus, no trabalho, na lanchonete e no lava-rápido. Com o cão, com o balconista, com a secretária, com os colegas, com o guarda de trânsito. E também acontece de não acontecer.
E é por isso que às vezes dói tanto quando tudo isso se perde...
domingo, 28 de junho de 2009
A sheet, a shelter
Não queria parar para pensar. Preferia me distrair com a TV. Não queria parar para pensar porque não queria parar para sentir as emoções que tais pensamentos me trariam. Mas era quase inevitável; pensar talvez me fizesse esvair a incerteza. Queria mesmo, talvez, voltar ao portão, à rua, ao carro.
Quase não tinha te sentido naquelas horas; estava por demais imersa em minhas dúvidas e insegurança. Talvez desperdiçara o momento, mas talvez só quisesse me sentir mais tua, mais leve, mais desarmada. No entanto, mantive as armas em punho. Pesadas demais para que pudesse sentir a leveza do teu toque.
No fundo, quisera segurança, quisera estar à vontade do teu lado e queria que o estivesse também. Te queria por completo comigo. Alguma certeza, possivelmente. Teu abrigo, teu conforto, tuas mãos, teu cheiro e tuas palavras. Um pouco de ti. E um pouco mais do teu tempo. Quisera mesmo era entender tudo aquilo. Quisera esvair as dúvidas, quisera me jogar nos braços sem indagações. Mas o jogo às vezes se sobressai, aguando as emoções.
Well, just in case, sempre sobra o consolo da pena (ou da letra) amiga...
sábado, 18 de abril de 2009
My passion
Primeira aula de ballet, com o Tomaselli. "Tá com dor na lombar? É o pacote: ballet/dor na lombar, dor na lombar e ballet", disse ele. Há quanto tempo eu queria estar ali.... Quantas vezes nao saí da aula do Edy e ficava babando do lado de fora... Agora me sinto realmente parte de tudo aquilo...
Para quem estava há tanto tempo sem encarar uma aula de ballet, não fiz feio não. Sustentei uma pirueta lá e cá, fiz um belo promenade. Graças ao teacher Edy, of course. E saí de lá tilintando, extasiada. Lalalá... Leve, mas com as pernas pesando...
É difícil compreender, mas toda a concentração que a dança exige faz esquecer de qualquer coisa. Das obrigações, das brigas, do peso do dia-a-dia, do cansaço e das horas... Naquele momento, nada mais existe. É você e você; às vezes, você e o espelho. É um profundo exercício de introspecção, de autoconhecimento e um desafio. Desafiar a si mesmo, tentar vencer do eu de minutos atrás. Quem vai vencer, o músculo fraco ou o músculo fortalecido? A perna frouxa ou o cérebro que manda esticá-la? Aos poucos, você vai entendendo que não importa quem está do seu lado, se ele executa bem ou mal o exercício. Muito menos quem assiste. Aos poucos, o bailarino ingressa em um legítimo estado alterado da consciência e volta-se para dentro de si mesmo. É você e a música, as pernas, o braço. Você e o mundo.... Pra mim, as artes e o esporte são as mais eficazes formas de transcendência. Por natureza, o ser humano quer sempre ir além; saber o que há por trás do horizonte e além do arco-íris. Mesmo que, na realidade, não haja nada por lá...
Antes de terminar a aula, pelo espelho, pude ver o Eduardo Menezes passando.... perdi a oportunidade de fazer a aula de contemporâneo com ele. Justamente hoje era ele quem daria a aula e eu não aguentava mais uma. Estava desde às 9h, já eram mais de 3horas e meia na ponta dos pés...
domingo, 12 de abril de 2009
Bossa Nova Hard Core
Ok, já faz tempo.... e não me perguntem os motivos. O tempo passa e, às vezes, arrasta a gente com ele...
Bem, o que interessa? A lot of things had changed since the last post. Em todos os sentidos e setores; passado o que foge ao meu círculo de influência, o negócio é sempre tocar em frente. É sempre o que nos resta, não é verdade? Dizia eu para o Léo outro dia... o que faz a diferença é a capacidade de cada um em reagir aos acontecimentos. Alguns ficam paralisados, revoltados contra aquilo que já é fato, que não tem mais remédio; entregam-se ao desânimo. Outros preferem persistir, continuar e mover-se rumo a um novo caminho. A dificuldade aqui é ter disposição e aceitar que TUDO na vida exige algum esforço. Do mínimo ao mais árduo. Por isso, quanto mais alto o pico, maior a caminhada.
E não tenham dúvidas, estou no segundo plano... o grau de esforço é cada um quem decide. Mas o negócio é ralar. Conformidade não leva ninguém a lugar algum.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Joining you - chapter 1
- Olá
- Oi
- Tudo bem?
- Tudo e vc? Nothing was really fine
- Que contas?
- Nada demais... I had billions of new discoveries to tell
- Que tá fazendo?
- Agora, trabalhando apenas... And thinking, and gaspering and turning in circles and regretting... whining to myself
- Tá ocupada?
- Um pouco... mas dá para falar. That was the real problem. I couldn't tell. It was hard to accept
- Você vai hoje à noite?
- Não, não posso... I wanna go!
- Por quê?
- Preciso estudar. I can't see you again
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Estou eu aqui, ao apagar das luzes deste ano, aos 44 do segundo tempo de 2008, para escrever um pouco sobre esses 364 que ficam para trás. No penúltimo dia do ano velho, estou eu aqui, sem fazer nada no meu emprego novo, pronta para falar sobre esse ano que passa agora. E não me chamem de folgada. Não há ninguém na cidade, não há nada acontecendo, não há notícia, não há o que escrever. O pouco que ainda dá um sopro de vida à cidade já está no papel. O resto faz parte do tempo comum. Por isso estou de verde hoje. rs.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
la belle après-midi
não se trata de um azul piscina, azul-indeciso, às vezes turvo, acinzentados, esverdeados.... não... são olhos de um azul-céu; azul firme, encantadores... agradáveis e suaves ... belos como a tarde de um domingo azul...
domingo, 14 de setembro de 2008
Going ahead
Passada a raiva e o stress inicial, já consigo enxergar novos horizontes. Na verdade, já consigo olhar a situação da maneira como realmente a tinha em minha cabeça, mas estava ofuscada pela sombra da raiva e do desapontamento. Uma mistura de ansiedade, indignação, coisas entaladas na garganta.
Agora consigo enxergar caminhos pela frente, ao invés do frio porãozinho onde estava instalada. Tudo tem limite e a minha paciência e ânimo lá haviam se esgotado. Estava protelando uma decisão que a vida decidiu me trazer de bandeja, não sem algum ônus, é claro. O mundo capitalista é mesmo selvagem; por mais "espírita" que se possa ser. Pois bem, talvez aí resida parte do problema: enxergar-se sempre como uma conseqüência do cosmos, sem tomar as rédeas da própria vida; acreditando que os capítulos do livro de sua trajetória já estão pré-escritos. Nem todos estão preparados para enfrentar de cara os agrúrios, as decepções, as escolhas e os esforços que a vida demanda. Por isso é sempre melhor transferir as responsabilidades a outrém; ao além, às cartas. É como esquivar-se das conseqüências e automaticamente sentir-se redimido por suas próprias atitudes.
É um tanto estranho pensar em recomeços após cinco anos, mas eu acredito na força do meu trabalho e na minha competência. É como enxergar o Sol, gostar de andar ao vento, com os raios mornos sobre a pele. Preciso dizer, com certo sarcasmo, mas sem maldade, por mais bizarro que possa parecer, que estou até um tanto feliz. Um novo dia, um novo tempo, um novo futuro. Com algumas dúvidas, mas diferentes das anteriores. Tinha medo do "mais do mesmo", da falta de perspectivas, do engessamento. Passei a enxergar novas oportunidades, um futuro possível. Um futuro que já começa.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
Um lugar chamado calmaria
Ontem, assisti, pela vigésima vez, o filme "Um lugar chamado Notting Hill". Bem, não sei se é realmente a vigésima; perdi as contas quando alcancei a sétima vez. Simplesmente adoro esse filme, mesmo tendo uma porção de ressalvas em relação à clichezada das comédias românticas. Notting Hill está, há muito tempo, na minha lista de filmes preferidos. Sempre que vejo parte dele na Net, paro no canal e deixo rolar, mesmo que falte apenas dois minutos para o final. O filme realmente me pega por algum canal mais implícito e psicológico. Fica difícil argumentar comigo mesma e escolher outra produção para assistir. "Olha, aquele outro vc ainda não viu". "Mas dane-se, eu gosto deste", conversa minha consciência.
Eu costumava atribuir minha simpatia pelo filme em função da beleza simples e fina de Julia Roberts aliada ao lindo-fofo Hugh Grant. Sim, porque ele consegue ser os dois lados da moeda ao mesmo tempo. Mickey-olhos-azuis, belo, apaixonado e igualmente simples. Nada de muitos adereços, apetrechos, estilos exóticos ou estereotipados. Simplesmente Hugh Grant. Tal como em "Letra e música", só com um cabelo mais arrojado e contemporâneo. Then Pop!
A verdade é que ontem entendi o porque deste meu fascínio pelo filme. Primeiro, pela leveza de sua narrativa. Mas acho que o ponto-chave é a descrição de amor que está escondida nas entrelinhas das cenas, que vai de encontro com minhas idéias e sensações já experimentadas. Lembro-me agora da cena do jardim, do café da manhã na casa de Willian Thacker. A cena do café da manhã é uma das mais emblemáticas de todas, na minha opinião, neste sentido. É quando Anna Scott vai buscar refúgio na casa de Will, após a tormenta iniciada pelos tablóides ingleses, que o amor realmente se consuma entre ambos (e não estou falando de sexo, peeps). Ela chega, desesperada. Passam as horas. Os dias. A conexão entre o casal está baseada na idéia da calma, da tranqüilidade. Acredito que esta é a idéia implícita: encontra-se o amor quando sente-se em um verdadeiro estado de tranqüilidade e calmaria. Encontra-se a paz no outro, na companhia do outro. No aconchego e na satisfação do nada. Em um simples café da manhã com pão, manteiga e leite. Mas te tranqüilidade que o sentimento do outro e pelo outro, pela paz, que é capaz de te proporcionar.
Um refúgio em meio ao caos. A cena do jardim. O banho na banheira antiga. Apesar das hidromassagens de Hollywood, aquele é seu templo. Love is a temple.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Eternal sunshine
Eu decidamente sou um pessoa do dia. Gosto das noites também, mas se a gente precisa dizer que um dos dois equilibra melhor o ser, assim como algumas pessoas são mais Yyin e Yang, eu sou mais dia. Sou movida a sol. É só dar uma passeadinha à luz e ao calor do Sol que meu humor se abre no meio das nuvens cinzentas. Basta sentir o sol para meu dia estiar.
Não é preciso muito para que eu deixe de resolver algumas coisas e opte por uma caminhada ao Sol. Passo mais de meia hora do meu horário de almoço caminhando e curtindo o sol que não vejo e não sinto aqui na redação. E basta para relaxar e continuar o estressante dia de fechamento...
Sol me lembra alegria, liberdade, paixão, gostura. Sol é férias, sol é leve... sol é vida; é mais do que vida. É viver...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Em comemoração ao Dia dos Namorados...
I am a survivor (I Will Survive)
Gloria Gaynor
Composição: Belzunces
At first, I was afraid, I was petrified.
Kept thinkin' I could never live
Without you by my side,
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong.
And I grew strong
And I learned how to get along.
And so you're back from outer space.
I just walked in to find you here
With that sad look upon your face.
I should've changed that stupid lock,
I should've made you leave your key,
If I had known, for just one second,
You’d be back to bother me.
Well, now go! Walk out the door!
Just turn around now,
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to hurt me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?
Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love,
I know I'll stay alive!
I've got all my life to live.
I've got all my love to give.
And I’ll survive! I will survive!
Hey, Hey!
It took all the strength I had
Not to fall apart
And trying hard to mend the pieces
Of my broken heart.
And I spent, oh, so many nights
Just feeling sorry for myself.
I used to cry,
But now I hold my head up high!
And you'll see me, somebody new,
I’m not that chained up little person
Still in love with you.
And so you felt like droppin' in
And just expect me to be free,
But now I'm savin' all my lovin'
For someone who's lovin' me!
Go now! Go! Walk out the door!
Just turn around now!
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to break me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?
Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love
I know I'll stay alive!
I've got all my life to live.
I've got all my love to give.
And I'll survive. I will survive! Oohh..
Go now! Go! Walk out the door!
Just turn around now!
'Cause you're not welcome anymore!
Weren't you the one
Who tried to break me with goodbye?
Did you think I'd crumble?
Did you think I'd lay down and die?
Oh no, not I! I will survive!
Oh, as long as I know how to love
I know I'll stay alive!
And I've got all my life to live.
And I've got all my love to give.
And I'll survive. I will survive! I will survive!
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Adeus Carrano
Agora há pouco, uma notícia me surpreendeu bastante. Há poucos dias, menos de uma semana, conversava com a minha chefe e lembrei do meu começo de trajetória aqui na Gazeta da Zona Norte. Entre os feitos iniciais e os que mais marcaram até agora, está a entrevista com Austregésilo Carrano Bueno, autor do livro "O Canto dos Malditos", que inspirou o filme "O bicho de sete cabeças". Ao abrir o site da Folha Online, acabo de descobrir que ele faleceu na tarde de ontem.
A sensação da notícia foi esquisita. Não era um parente, um amigo, nem um vizinho, ou alguém que eu costumava cumprimentar na rua. Mas um cara que eu vi uma vez na vida e fez questão de me tratar com afabilidade, sem a frieza típica das entrevistas marcadas. O que mais pensei foi que eu fui privilegiada de ter conhecido um cara como aquele e enxergado sua história sem o lodo dos preconceitos e do conservadorismo.
Carrano não tinha papas na língua. Falava tudo, e tudo como queria falar, da maneira que considerava mais verossímel ao se expressar. Estava longe de ser um mal-educado, mas expressou os piores momentos de sua história de internação psiquiátrica com palavras feias e agressivas, que não deve ter sido menos feia do que os momentos que passara sob efeito de fortíssimas drogas psiquiátricas. Gravei com fidedignidade alguns trechos: "Imagine, você, todo cagado, o dia inteiro... as fezes saindo sem controle", dizia, gesticulando, num tom de voz sentido. Exibia os dentes estragados, resultado dos inúmeros tombos e choques elétricos tomados durante a internação. Tinha o rosto envelhecido, sofrido, apesar da jovialidade exprimida no seu jeito de ser e vestir-se.
Ele teve a coragem de explicitar em seu livro os maus tratos e abusos sofridos pelos pacientes de clínicas psiquiátricas. Os atos desumanos aos quais era submetido e o descaso de funcionários, médicos e enfermeiros, além de inadequadeção no tipo de tratamento. Sofria todo o tipo de violência física e psicotrópica, sendo um paciente lúcido e consciente do que estava vivendo, condição que o deu a oportunidade de escrever o livro e denunciar os escalabros. Pior: de sentir na pele todo o tipo de maus tratos, consciente, vendo, ouvindo e entendendo tudo o que se passava, ao contrário de pacientes com reais problemas mentais. àquela época, Carrano era um jovem de 17 anos, internado pelo próprio pai por ter fumado maconha.
Não estou aqui para julgar a vida do autor, nem seus atos. Mas havemos de entender que, na esquizofrênica rotina moderna em que vivemos, é preciso considerar as causas e conseqüências; o fator humano e imperfeito existente em cada um nós. Em todos nós, aliás, que já cometemos e continuamos a cometer nossos deslizes. Nada que fira a ética ou o bem-estar coletivo, como foi o caso do autor. Mas algo intrínseco à nossa vil condição humana; pelo qual Carrano foi duramente punido e pelo qual teve sua vida modificada para sempre, em termos de seqüelas físicas e psicológicas. Na contra-mão da história, a vida precisa apresentar seu perfeito ciclo de idas e vindas, às vezes: foi preciso um jovem de 17 anos ser maltratado até a quase morte de sua alma, para que o espírito pudesse renascer, contar toda a raiva e delatar as atrocidades cometidas em supostas casas de saúde.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Stop crying your heart out
(Noel Gallagher)
Hold on
Hold on
Don’t be scared
You’ll never change what’s been and gone
May your smile (may your smile)
Shine on (shine on)
Don’t be scared (don’t be scared)
Your destiny may keep you warm
Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You’ll see them some day
Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
Get up (get up)
Come on (come on)
Why’re you scared? (I’m not scared)
You’ll never change
What’s been and gone
Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You’ll see them some day
Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You’ll see them some day
Just take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
We’re all of us stars
We’re fading away
Just try not to worry
You’ll see us some day
Just take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
Stop crying your heart out
Stop crying your heart out
Stop crying your heart out
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Às vezes, o cansaço, a tagarelice, a inquietude e os espirros traduzem-se noutra coisa. Às vezes, tudo o que eu quero é um pouco de colo, um lugar quente e sossegado, além de um pouco de aconhego. Braços masculinos me envolvendo, paz duradoura, um pouco de plenitude, estar à vontade, rumo à tranqüilidade. Às vezes, preciso de um pouco de afetuosidade, ternura, palavras brandas e sutis. Necessidade que traduz-se na vontade de estar um pouco mais completa, nem que por um instante.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Porque eu amo dançar
E é porque eu amo dançar que vou dedicar mais um post, dentre os inúmeros que já escrevi nos quatro blogs que tive, a este tema. E também porque eu acho que todos deveriam passar uma vez na via pela experimentação da dança. Não digo dança de danceteria, de barzinho, de funkeira, nem de salão. Nada dessas exibições pressupostas como a arte da dança, mas essencialmente bem diferentes.
A arte da dança em si consiste em dançar concentrado, para dentro; desafiando os próprios limites, sentindo a expressão de si mesmo e a satisfação de conseguir superar-se apesar das aparentes restrições físicas. Sentir a música, sentir o corpo, sentir os músculos, sentir o ar que entra e sai. Sentir a beleza do fato/ato, a doçura de imprimir seu estilo e dar graça aos movimentos. Graça, força, leveza, ternura, agilidade, entusiasmo, explosão. Aliás, esta não é a primeira vez que me refiro à dança como expressão e explosão. Muito diferente de dançar para agradar 'as mina' ou para que 'os mano' vejam uma bunda chacoalhando.
E tambem é porque eu fiz uma aula maravilhosa ontem... vcs não sabem o quão gratificante é ir embora e dizer a si mesma: "Eu fiz um salto lindo hoje. Eu aprendi a girar melhor. Eu me alonguei lindamente". Não há quem não esqueça o resto do dia. Além do mais, minha dupla no alongameto: teacher Edy. Uh, friozinho na barriga... "Me ferrei, agora vou fazer tudo errado", pensei, a princípio. Mas foi ótimo. Nada como ter uma profissional cuidando do seu corpo. Fiz todos os exercícios direitinhos, com a ajuda de quem realmente entende. É claro que doeu muuuuuuuuuito quando ele girava meus pés para fora e me fazia alongar além, forçando a superar-me e a progredir. Mas vale a pena.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Quem QUEREMOS ser!
"Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum..."
(Engenheiros do Havaí)
Belos versos... somos quem podemos ser, mas somos também nossos sonhos, atitutes e objetivos. Somos quem podemos ser sim; mas discordo parcialmente. Somos também quem QUEREMOS ser. A vontade interna, a mobilização interna, refletem no sentido externo. Nossas ações são reflexos de nossos pensamentos, valores e sentimentos internos. Por isso, somos quem queremos ser. Claro, somos quem podemos ser também. Eu não posso ser a Sandy nem a Jennifer Aniston. Não nasci princesa e nem tenho vocação à santa. Mas encaremos, somos donos de nosso destino. E faz-se necessário dizer aqui. Mesmo que doa aos acomodados e oportunistas.
" Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
Quem ocupa o trono
Tem culpa
Quem oculta o crime
Também
Quem duvida da vida
Tem culpa
Quem evita a dúvida
Também tem..."
quarta-feira, 23 de abril de 2008
É simples...
Sabe qual a melhor coisa do mundo? Ah, é ter amigos. Ter amigos, os velhos e bons, os verdadeiros, os de verdade, os que perduram, os que permanecem, os que ficam. Os companheiros, os pacientes, os ouvintes, os divertidos, os amáveis, amigáveis, os honestos (mais que o clichê da sinceridade acima de tudo), os de caráter, os de bem, os de bom senso.
Faço questão de frisar que o melhor num bom amigo são seus valores e seu caráter. Aquele de bases sólidas e boa índole, de boa essência, não se deixam levar por oportunismos e interesses esporádicos, de pouca importância. Conhecem o que é maior e mais fundamental na vida humana. Estão além das baladas, da grana emprestada, do choro desabafado.
É extremamente gratificante encontrar os bons e velhos amigos e amigas; ver que nos tornamos as mocinhas e mocinhos com os quais sempre sonhamos ser (quer dizer, mais ou menos. Nos sonhos antigos, nós ganhávamos rios de dinheiro. hehe). Que somos capazes de superar os obstáculos, de vencer os desafios e propor novos. E que temos os amigos de sempre para nos acompanhar nessa jornada e cuja evolução também acompanhamos e da qual participamos. Aqueles que temos o prazer de encontrar num rápido almoço ou de passar horas conversando a fio.
A todos vocês, meus grandes, velhos, novos e todos amigos.... amigos-amigos... do peito... não colegas... Eu vos amo!!!! =)
Cê, valeu pelo almocinho de hoje!!!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Shhhhh....!
"O silêncio e a calma não são apenas a ausência de barulho e de conteúdo. São a dimensão mais profunda do nosso ser, a inteligência primordial, a consciência de que só podemos ser felizes Agora. O poder transformador do silêncio está em nos libertar de nossos pensamentos, medos e desejos, dissipando as tensões do passado e as expectativas em relação ao futuro. Só no presente podemos descobrir quem realmente somos, alcançando assim a paz e a alegria que estão dentro de nós"